Uma possível mudança na tributação de investimentos ligados ao setor imobiliário acendeu um alerta no mercado: o aumento dos juros dos financiamentos e a redução do acesso à casa própria. Segundo estudo da Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc), uma eventual cobrança de 5% de IOF sobre Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letras Imobiliárias Garantidas (LIGs) poderia elevar em 0,7 ponto percentual as taxas de financiamento imobiliário.
A estimativa foi divulgada em reportagem do portal Portas, publicada em 3 de novembro de 2026. De acordo com a associação, o encarecimento do crédito poderia retirar 1,4 milhão de brasileiros da classe média do acesso à casa própria.
O que são LCI e LIG e qual a relação com o financiamento imobiliário?
As Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e as Letras Imobiliárias Garantidas (LIGs) são títulos de investimento utilizados pelas instituições financeiras para captar recursos relacionados ao mercado imobiliário.
Na prática, esses instrumentos ajudam os bancos a obter recursos para financiar operações de crédito imobiliário. Por isso, são considerados importantes fontes de financiamento para o setor.
De acordo com dados apresentados pela Abrainc, LCIs e LIGs passaram a representar 58% das fontes de financiamento imobiliário destinadas à classe média, enquanto há cinco anos essa participação era de 21%.
No mesmo período, a poupança do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) registrou uma retirada líquida de R$ 326 bilhões, reforçando a importância de outras fontes de recursos para sustentar a oferta de crédito habitacional.
Como uma possível tributação poderia afetar os juros?
Atualmente, esses investimentos contam com benefícios tributários para os investidores. Uma eventual cobrança de imposto poderia reduzir sua atratividade, fazendo com que os bancos precisassem oferecer uma remuneração maior para continuar captando recursos.
Esse aumento no custo de captação poderia ser repassado às taxas dos financiamentos imobiliários, tornando o crédito mais caro para quem deseja comprar um imóvel.
Na projeção apresentada pela Abrainc, a eventual tributação de 5% elevaria em 0,7 ponto percentual os juros do financiamento. Embora possa parecer uma diferença pequena, o impacto pode ser significativo quando considerado ao longo de um contrato imobiliário de longo prazo.
Impactos podem ir além da compra de imóveis
As projeções da Abrainc também apontam possíveis consequências para a construção civil e para a economia brasileira.
Segundo o estudo, a redução da oferta de crédito poderia diminuir a produção de moradias, provocando um impacto de R$ 46,9 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) e uma perda estimada de 611 mil empregos, considerando os efeitos diretos, indiretos e induzidos.
A associação também estima que a arrecadação de R$ 1,8 bilhão com a eventual cobrança seria superada pela perda de R$ 2 bilhões em outras receitas públicas, em razão da retração da atividade econômica.
É importante destacar que esses números representam simulações de um cenário hipotético, e não resultados já observados.
Governo ainda não definiu mudanças na tributação
Apesar das discussões sobre o tema, não há uma medida de tributação definida.
Em 29 de outubro de 2026, o secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, afirmou que não existia uma medida preparada para cobrar IOF sobre títulos atualmente isentos. Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, o governo também indicou que uma eventual mudança precisaria considerar seus impactos sobre o mercado financeiro e a economia.
Assim, o possível aumento dos juros do financiamento imobiliário ainda depende dos desdobramentos dessa discussão.
O que isso significa para quem pretende comprar um imóvel?
O debate reforça como as decisões relacionadas à política econômica e ao mercado financeiro podem influenciar diretamente as condições de financiamento imobiliário.
Para quem planeja adquirir um imóvel, acompanhar essas mudanças é importante, especialmente porque as taxas de juros interferem no valor das parcelas, no custo total do financiamento e nas condições necessárias para a aprovação do crédito.
Por enquanto, não há motivo para tratar o possível aumento como uma realidade confirmada. O cenário ainda depende de decisões do governo e de eventuais mudanças nas regras de tributação.
Na Baggio, acompanhamos de perto as movimentações do mercado imobiliário e o cenário econômico para manter nossos clientes sempre bem informados. Nosso compromisso é oferecer orientação, transparência e as melhores oportunidades para quem deseja comprar, vender ou investir em imóveis, considerando as condições e as possibilidades de cada momento.
Fontes e referências:
- PORTAS. Tributação de LCI e LIG pode elevar juros do crédito imobiliário. Publicado em 3 nov. 2026. Acessar matéria.
- CNN BRASIL. Tesouro nega que governo tenha medida para taxar títulos isentos com IOF. Publicado em 29 out. 2026. Acessar matéria.
- JOTA. Área técnica do governo defende mudança em LCI e LCA logo, mas vê dificuldades em 2026. Publicado em 11 set. 2026. Acessar matéria.

